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Este trabalho tem por justificativa, verificar as necessidades locais dentro do universo do ensino supletivo mais
especificamente na área de Matemática, questionando o educando, sobre as dificuldades encontradas pelo mesmo em aprende-la.
Neste sentido, este documento nos dá a oportunidade de pesquisar e avaliar através de gráficos, as faixas de idade dos alunos,
e também como os mesmos vêem o ensino de Matemática no que se refere ao gosto, maneira e como os alunos gostariam que fosse o
estudo da Matemática. Além das questões abertas, apresentamos neste trabalho dois problemas que envolvem conceitos matemáticos e
que serviram para verificar como os alunos operacionalizam esses conceitos. |
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1. INTRODUÇÃO
Na vivência que se tem dentro da educação de jovens e adultos, de modo geral, vem-se observando o quanto as questões de currículo
e de conteúdos é polêmica e como o entendimento de cada concepção varia de acordo com o momento histórico e com os interesses;
de melhoria do ensino.
A educação de jovens e adultos torna-se uma necessidade no momento atual, pois o sistema neo-liberal exige que os indivíduos dominem
cada vez mais as tecnologias no mercado de trabalho, tendo que saber operar os códigos da modernidade, e produzir com mais qualidade.
As dificuldades dos adultos na aprendizagem da leitura e da escrita, de cálculos e demais elementos do conhecimento científico
não deve constituir-se em barreiras à aprendizagem, mas servir como material de análise teórica para os professores.
2. OBJETIVOS
Verificar as dificuldades apresentadas pelo aluno em aprender Matemática no Ensino Modularizado; |
Verificar se o estudo de Matemática em módulos é significativo para a aprendizagem dos alunos; |
Verificar se o sistema de avaliação usado ao final de cada módulo é condizente com a proposta inicial de
ensino-aprendizagem. |
3. METODOLOGIA
As perguntas do estudo foram realizadas com os alunos do Ensino Supletivo modularizado, Nível Fundamental e Médio, do Núcleo
Avançado de Ensino Supletivo/NAES, da Cidade de Campos Novos, extensão do Centro de Educação de Jovens e Adultos/CEJA, da região
de abrangência da 09ª Coordenação Regional de Educação/Joaçaba, Estado de Santa Catarina.
Os dados foram coletados através de questões abertas (anexo1), e também foram propostos dois problemas que envolvem conceitos
matemáticos e que serviram para verificar como os alunos apreendem e operacionalizam esses conceitos. Na geometria, pretende-se
reconhecer como os alunos a partir da observação do espaço, identificam as propriedades dos triângulos, e na equação do 1°grau
averiguar a compreensão dos alunos quanto a função dos números, a ordenação e construção dos códigos matemáticos.
RESULTADOS E DISCUSSÕES
Figura 1. Distribuição dos entrevistados do Ensino Fundamental do NAES, Campos Novos - SC,
quanto à idade e sexo
Fonte: Questionário aplicado aos alunos do NAES - Campos Novos SC -Jun/2000
Figura 2. Distribuição dos entrevistados do Ensino Médio do NAES, Campos Novos -SC, quanto à idade e sexo
Fonte: Questionário aplicado aos alunos do NAES - Campos Novos SC - Jun/2000
Analisando os resultados das figuras 1 e 2, percebe-se que há uma inversão de predominância de freqüência entre os sexos
masculino e feminino no ensino fundamental e médio
Essas inversões estão caracterizadas no fato dos estudantes abandonarem os bancos escolares na idade base de verificação do
compromisso da escolaridade mínima, e retornarem aos mesmos para conseguir um emprego melhor ou mesmo são solicitados pelas
empresas onde trabalham.
Mas suas motivações não se limitam a este aspecto. Muitos referem-se também à vontade mais ampla de
entender melhor as coisas, se expressar melhor, de não depender sempre dos outros, e especialmente as mulheres, referem-se
muitas vezes ao desejo de ajudar os filhos com os deveres escolares, ou simplesmente, de lhes dar bom exemplo.
Figura 3. Distribuição dos alunos do NAES, Campos Novos - SC, quanto ao gosto pelo estudo de Matemática
Fonte: Questionário aplicado aos alunos do NAES - Campos Novos - SC Jun/2000
Como acontece com outras aprendizagens, o ponto de partida para a aquisição dos novos conhecimentos matemáticos deve ser os
conhecimentos prévios dos estudantes. Na educação de jovens e adultos, mais do que em outras modalidades de ensino, esses
conhecimentos costumam ser bastante diversificados e muitas vezes são encarados, equivocadamente, como obstáculos à aprendizagem.
A comunicação desempenha um papel fundamental para auxiliar os alunos a construírem os vínculos entre as noções informais e
intuitivas e a linguagem matemática. Quando os alunos percebem que uma representação é capaz de descrever muitas situações, e que
existem formas de representar um problema que são mais úteis que outras, começam a compreender a utilidade da linguagem
matemática.
Figura 4. Avaliação da qualidade explicativa dos módulos de matemática, pelos alunos do NAES, Campos Novos -SC
Fonte: Questionário aplicado aos alunos do NAES - Campos Novos - SC Jun/2000
Os módulos como ferramenta didática para apoiar os estudos no ensino supletivo são recursos eficientes, desde que estejam
relacionados a situações significativas que provoquem a reflexão dos alunos, pois os mesmos se vêem na necessidade de estudar
e interpretar os conteúdos sozinhos, e quando não alcançam seus objetivos que é aprender, recorrem ao professor para que suas
dúvidas sejam sanadas.Na relação entre ensino Fundamental e Médio quanto a este quesito, verificamos que as dificuldades em
estudar nos módulos recai sobre o Ensino Fundamental. Isto se justifica pela falta de conhecimento ou mesmo maturidade dos
educandos em saber manipular e interpretar as informações contidas nos módulos.
Figura 5. Opinião dos alunos sobre suficiência das informações presentes nas provas de avaliação, no NAES,
Campos Novos - SC.
Fonte: Questionário aplicado aos alunos do NAES - Campos Novos - SC Jun/2000
Cabe aqui mencionar a importância de os educandos jovens e adultos participarem da avaliação contínua de suas aprendizagens,
de modo a ganhar mais consciência e controle sobre seus conhecimentos, sobre suas próprias atividades. Entretanto, é importante
frisar que essa tomada de consciência implica o reconhecimento tanto dos que já sabem como dos que ainda precisam ou
desejam saber.
Além de orientar a execução do plano didático, a avaliação continuada das aprendizagens dos alunos, mune o professor de bons
elementos para que possa proceder a uma avaliação final do processo.
Figura 6. Freqüência de acertos nas respostas relativas ao número de triângulos da figura, pelos alunos do Ensino
Fundamental do NAES, Campos Novos-SC
Fonte: Questionário Aplicado aos alunos do NAES - Campos Novos SC - Jun 2000
Figura 7. Freqüência de acertos nas respostas relativas ao número de triângulos da figura dada, pelos alunos do
Ensino Médio do NAES, Campos Novos - SC
Fonte: Questionário aplicado aos alunos do NAES - Campos Novos SC Jun/2000
Ao analisar neste contexto, a relação de acertos e erros entre o Ensino Fundamental e Médio, verifica-se que no Ensino
Fundamental houve um maior número de acertos. Na relação com as faixas etárias, verifica-se que os índices de acertos tanto
no fundamental como médio, foram aumentando à medida que aumentava a faixa etária dos educandos e, inversamente proporcional
a respostas erradas. É possível verificar portanto, que independentemente da escolaridade, o total de acertos foi maior
nas idades mais avançadas.
Figura 8. Freqüência de acertos por faixa etária na resolução de uma equação do 1º grau pelos alunos do Ensino
Fundamental do NAES, Campos Novos - SC. Fonte: Questionário aplicado aos alunos do NAES - Campos Novos SC
Figura 09. Freqüência de acertos por faixa etária na resolução de uma equação do 1º grau pelos alunos do Ensino Médio do
NAES, Campos Novos - SC.
Fonte: Questionário aplicado aos alunos do NAES - Campos Novos SC Jun/2000
Os procedimentos dos cálculos escritos usualmente ensinados na escola são sínteses, resultantes de longos processos pelos quais
passaram diferentes procedimentos de cálculos, utilizados ao longo da história dos números. É fato constatado por quem trabalha
com jovens e adultos que, embora eles desenvolvam estratégias de cálculo mental bastante diversificados, podem manifestar
algumas dificuldades para aprender os procedimentos convencionais cometendo alguns erros sistematicamente. É interessante
observar esses erros, pois muitas vezes eles evidenciam modelos implícitos de conhecimento, que nos informam o modo
como o aluno pensa.
CONCLUSÃO
Considerando a questão da educação de jovens e adultos, devemos inicialmente situarmo-nos quanto as conquistas e avanços que esta
área de ensino vem conseguindo, especialmente nas últimas décadas. Não podemos deixar de citar as dificuldades encontradas pelos
jovens e adultos em continuar estudando, com a finalidade de pelo menos terminar o ensino básico , já que os índices de
analfabetismo no Brasil ainda se encontram em níveis elevados. Somados a tudo isto, ainda temos um mercado de trabalho cada
vez mais competitivo, obrigando cada vez mais os indivíduos, a especialização.
A questão pedagógica mais instigante é o fato de que eles quase sempre, independentemente do ensino sistemático, desenvolvem
procedimentos próprios de resolução de problemas envolvendo quantificações e cálculos. Há jovens e adultos capazes de fazer
cálculos bastante complexos, ou ainda que não saibam como representa-los por escrito na forma convencional, ou ainda que não
saibam sequer explicar como chegaram ao resultado. O desafio, ainda pouco equacionado, é como relacioná-los significativamente
com a aprendizagem das representações numéricas ensinados na escola.
A superação das habilidades, está tanto no educando como no educador, e através deste trabalho notamos que as dificuldades
encontradas foram superadas pela expectativa de realizar um trabalho, que de alguma forma trouxesse, tanto a valorização do
educador, no processo ensino aprendizagem, como também para o educando no sentido de proporcionar ao mesmo, condições de
enfrentar os desafios do cotidiano, com pelo menos alguma bagagem a mais no seu saber.
REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICA
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A.S.M.Helly. Nuevas Tendencias de la Educacion de Adultos. Paris: Unesco, 1996.
ARROYO, Miguel. Educação Básica de Jovens na Escola Plural.Documento da Prefeitura Municipal de Belo Horizonte, 1995.
CEDI, Educação de Jovens e Adultos. Subsídios para Elaboração de Políticas Municipais. São Paulo,1990.
MATO GROSSO DO SUL. Tempo de Alfabetizar. Secretaria de Estado de Educação,1996
PEREIRA, Luiz. Desenvolvimento, Trabalho e Educação.Rio de Janeiro: editora Zahar,1967.
SOCIEDADE, Brasileira de Educação Matemática. A Educação Matemática em Revista: o ensino da Matemática no 1º grau, v, 1,n.2,
Blumenau, 1994.
UNESCO. Recomendação nº.58: Alfabetização e Educação de Adultos.In Revista Brasileira de Estudos Pedagógicos. 44(100),
out/dez/1965 |


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Daniel Navarro Bezerra danabep@zipmail.com.br Núcleo Avançado de Ensino Supletivo - Campos Novos - SC |
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