trabalhar a linguagem do audiovisual e da
animação por computador.
A dupla desenvolveu na garotada a
sensibilidade de olhar e a capacidade de articular
informações visuais,
textuais e
sonoras, com auxílio de ferramentas tecnológicas.
As atividades se iniciaram com observação e a "leitura" de imagens
do Rio de janeiro capturadas pelo fotografo Augusto Malta no início
do século passado, e do colégio, na época de sua
fundação, a mais de 80 anos.
Utilizando um software de apresentação e outro de animação gráfica as turmas
produziram
sobre essas imagens mais de 70 curtas-metragens no estilo do cinema mudo.
para encerrar o projeto, o material foi exibido no auditório da escola para
estudantes, pais e convidados.
Tecnologia Como Ferramenta de Criação
O tempo assume várias formas no cinema. O período de exibição, a época em que se passa o enredo, a velocidade acelerada
na qual os fotogramas se sucedem enganando nossa visão e simulando o movimento. Há o tempo da própria história do cinema,
que no inicio do século
passado encantou as platéias com o filme mudo. Inspiradas por essa temática, Mônica e Regina estudaram
o Rio antigo unindo a arte cinematográfica a imagens históricas. Assim, mostraram
como a tecnologia pode contribuir na criação
artística.
Na Leitura de Imagens, A Mostra de Uma
Evolução
Na primeira etapa do projeto foram apresentadas fotos do Rio de Janeiro do início do século passado, obtidas no site
www.almacarioca.com.br. Para exibi-las, Mônica utilizou um equipamento antigo,
preservado pela escola: o episcópio. A ambientação provocada pelo uso desse instrumento, um precursor do retroprojetor,
ajudou a transportar todos para o período relatado. "procuramos sensibilizar o olhar das crianças, levando-as a
observar as transformações na moda, na
arquitetura, nos transportes , nos costumes e nas atividades escolares mostradas
nas fotos pertencentes ao acervo do colégio", comenta Mônica.
As imagens foram impressas e dispostas na parede da sala de artes. Na aula seguinte, cada aluno foi convidado a
escolher uma delas e reproduzi-las numa folha de papel usando apenas
lápis preto. " o exercício leva á
percepção da perspectiva, das formas e dos contrastes das
imagens em preto-e-branco".
Filme Mudo de Charles Chaplin Vira Modelo
No laboratório de informática, Regina organizou
uma sessão de cinema - uma projeção com datashow de um arquivo de
vídeo digitalizado - da fita A Cura, de Charles Chaplin
"selecionamos esse filme para mostrar a estética do curta-metragem e
do cinema mudo", conta Regina.
Após a exibição todos discutiram as
características do que viram. Em seguida as professoras apresentaram
um curta-metragem produzido por elas no computador e expuseram ao
grupo
a idéia do projeto: a produção de filmes em dupla.
Autonomia com o Micro
As fotos vistas na primeira etapa foram arquivadas nos computadores.
Cada dupla escolheu uma como cenário da animação. Para operar os micros, Regina criou roteiros explicativos
visando estimular a autonomia. Por isso ela apenas orienta o trabalho, passando de dupla em dupla.
Quando alguém tem dificuldade, Regina pede, antes de resolver o problema, que tentem seguir o roteiro
Hora de Criar o Enredo
Criadas e avaliadas as histórias, Mônica e Regina levantam com cada dupla como transformar o que foi
escrito em linguagem audiovisual. Observa-se a pertinência das idéias e a lógica dos acontecimentos e a organização
textual. As histórias não podem ser muitas longas e precisam ter começo, meio e fim. Além disso, a animação dos
personagens e das situações descritas tem que combinar com a imagem escolhida para fundo.
Como Produzir o Enredo
Antes de passar á fase de produção no computador, distribui-se á classe planilhas com quadros em branco acompanhadas
de pautas de texto, para que seja produzido um roteiro da animação, o chamado storyboard.
Neles os alunos fazem croquis de cada imagem a ser montada no computador,descrevendo ao lado o trecho da narração.
As orientadoras, também bolaram textos explicativos típicos do cinema mudo. Nesta etapa, os estudantes conseguem identificar
situações impossíveis de animar e problemas de continuidade.
A Aplicação dos Softwares de Animação
Feitos e revisados os storyboard, foram apresentados os programas Powerpoint e Kidpix(SoftMarket) . Sempre seguindo
roteiros preparados pela professora. No primeiro software os estudantes produziram os slides de apresentação, digitaram
os textos de continuidade e animaram as situações. No segundo software, criaram os personagens, reproduzindo-os nas
diversas posições que cada história solicitava. Os alunos descobriram como usar comandos típicos da computação, como
abrir, importar e salvar arquivos, selecionar figuras e utilizar teclas de atalhos, como Alt-Tab, para navegar entre
os programas.
Personagens Ganham Movimento
A etapa de animação foi a de maiores descobertas, inclusive para Regina. Uma série de desafios da computação gráfica
precisou ser superada. Como fazer um personagem se esconder atrás de um móvel?
De que maneira dar a impressão de que ele está se movimentando em perspectiva?Qual a melhor forma de
caracterizá-lo para dar idéia de que se virou de costas?
Finalização dos Filmes, Monitoria e Crítica
Este é o momento mais importante. Prontas as animações, o grupo entra numa das mais divertidas fases do projeto,
o da seleção de sons e músicas para sonorizar os filmes. Humor, tensão, drama...
A importância da trilha sonora foi amplamente absorvida pelo grupo, que fez escolhas bastante adequadas aos roteiros.
Conforme os grupos foram finalizando seus filmes, as professoras orientadoras, iniciam um
trabalho de monitoria entre os próprios alunos. Os que terminaram antes passaram a auxiliar os colegas que
ainda tinham etapas a cumprir.
A interação do grupo aumentou bastante neste momento. É interessante observar como os monitores repetem com os
colegas uma postura idêntica ao dos professores.
Quando todos os grupos terminaram seus curtas, teve início a preparação da etapa do projeto.
Na internet, em sites previamente selecionados, o grupo fez uma pesquisa sobre produção e crítica cinematográficas.
Foi preparada uma ficha e pedido a cada dupla que trocasse de computador com os vizinhos para que realizasse a avaliação
dos trabalhos.
Nessas fichas havia perguntas sobre a história criada, a coerência das imagens utilizadas e de sons e animações.
Em alguns casos, os "críticos" convenceram seus colegas a fazer alguns ajustes no produto final.
Pré-estréia e CD-ROM
No final do semestre, Mônica e Regina organizaram no auditório da escola a pré-estréia dos
curtas-metragens. Cada dupla ficou responsável por operar o equipamento e exibir sua produção.
Depois o material foi enviado a uma produtora, para elaboração de um CD-ROM com todos os filmes.
No início do segundo semestre, o lançamento do CD-ROM trouxe pais e convidados, que se emocionaram
com as produções.
Avaliação Continua
As professoras avaliaram os alunos com relação a participação, produção textual, construção
de imagem, manipulação das ferramentas e organização.
Também analisaram a evolução do trabalho em duplas. Observaram as que tiveram dificuldades
no início mas conseguiram supera-las; as que tinham dificuldade com a informática e que
passaram a dominar as ferramentas; e aquelas em que havia um membro mais dominador do que
o outro, mas que acabou por compreender a dinâmica do trabalho em grupo.
Ao final de cada aula, Mônica e Regina faziam auto-avaliações
abordando aspectos positivos e negativos das próprias atuações.

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