Textos, Artigos e Analises
Home  |  Literatura  |  História  |  ebooks grátis  |  Testes Vocacionais Intercâmbio Cultural  |  Eshopping  |  Email   
Civilização e barbárie
Ensaio sobre a nova ordem mundial II
 
Roberto Amaral

A ideologia do combate aos ditadores, defesa dos direitos humanos e defesa das minorias,
pretexto para intervenções de toda ordem, também não se viu no Chile, onde os ‘especialistas’ norte-americanos e sua diplomacia –-Kissinger (Departamento de Estado) e Bush (CIA) à frente-- colaboraram com Pinochet no golpe contra o governo constitucional de Salvador Allende e no apoio à ditadura em todos os anos de brutal repressão; também não se viu nem na Argentina dos militares e dos civis ‘desaparecidos’, nem no Brasil da tortura.

A ‘teoria de valores’ da política externa norte-americana, para a qual os marines são seus melhores embaixadores e a guerra a melhor diplomacia, conhece apenas dois postulados: seus interesses e o argumento da força bruta. Assim, jamais teve apreço, de princípio, seja pela democracia, seja pelas ditaduras. Combateu essas quando os titulares eram adversários de seus interesses, e as defendeu quando postas a serviço da guerra-fria (v.g. Indonésia, Brasil, Chile... ). Jamais hesitou em golpear aqueles regimes democráticos –v.g. República Dominicana de Bosch, Brasil de Goulart e Chile de Allende— que pudessem contrariar, ainda que minimamente, seus interesses. Assim também em face dos movimentos guerrilheiros. Para ela é insuportável a guerrilha na Colômbia, desestabilizando uma democracia (vá lá o termo), ou em São Salvador: esses guerrilheiros, esquerdistas, têm sempre objetivos totalitários… 

Mas essa mesma política jamais deixou de apoiar os movimentos guerrilheiros, de direita, que ameaçavam a consolidação de regimes que podiam ser considerados adversários: os ‘contras’ da Nicarágua desestruturando a democracia sandinista; as tropas criminosas da UNITA destruindo o futuro de Angola. Sem falar no seu apoio à guerrilha talibã, ao seu apoio inicial aos aiatolás, e no seu incitamento e apoio ao Iraque (sempre uma ditadura sob Saddam) na sua guerra contra o Irã, o financiamento dos cubanos anti-castristas...  Em que recesso repousava o humanitarismo anglo-americano enquanto hutus e tutsis se matavam (e se matam desde 1966) na África central (só no último massacre, em 1998, morreram mais de 500 mil homens, mas… negros), conflito que prossegue, percorrendo essas etnias, em Ruanda, onde começou, em Burundi, no Congo, no Zaire, nada obstante o silêncio da imprensa internacional, que, silenciando, tenta negar sua existência?

A repressão turca contra os curdos, segundo os cálculos mais moderados, nada fica a dever às atrocidades de Milosevic. No início dos anos 90 cerca de um milhão de curdos abandonaram o campo, enquanto o exército turco arrasava as zonas rurais.

Nessa época, denuncia Jonathan Randal, "a Turquia se transformou no maior importador
individual de material militar americano e, por conseguinte, no maior comprador de armas do mundo. Quando os grupos de direitos humanos denunciaram que a Turquia havia utilizado aviões americanos para bombardear povoações, o governo Clinton encontrou formas de se esquivar às leis que exigiam a suspensão da entrega de armamentos”A Turquia é uma base militar americana, de extraordinária importância estratégica...

E a morte de 560 mil iraquianos?

Não foi diferente no Camboja. Não se sabe quantos milhares (ou milhão ?) de cambojanos, foram mortos pelo Kmer Vermelho, a serviço do regime de Pol Pot. Sabe-se que os Estados Unidos, após a invasão do Vietname, reconheceu o governo banido da Kampuchea Democrática como representante oficial do Camboja, por sua ‘continuidade’ com o regime de Pol Pot.
O governo americano apoiou o criminoso Kmer Vermelho em suas carnificinas contra o povo do Camboja, e puniu o Vietname com severíssimas sanções, por havê-lo combatido.
Anualmente, pelo menos 20 mil pessoas, civis e camponeses, principalmente crianças,
morrem ao pisarem em mini-minas que estão espalhadas por todo o território do Norte do Laos  “que nos anos 60 e 70 foi alvo do que provavelmente terão sido os maiores e, seguramente, os mais cruéis bombardeios da história contra uma população civil. As mortes foram causadas
pelas mini-bombas, diminutas armas antipessoais muito piores do que as minas: são
projetadas especificamente para matar e mutilar, e não têm qualquer efeito sobre
caminhões, edifícios ou outros objetos.
A planície ficou juncada de centenas de milhões desses projéteis. (…)
O Grupo Consultivo sobre minas, com sede na Grã-Bretanha, está tentando limpar os campos dessas armas letais; mas, segundo a imprensa britânica, os Estados Unidos se negam a emprestar seus especialistas e seus ‘procedimentos’ que fariam o trabalho ‘com muito mais rapidez e segurança’. Esses procedimentos constituem segredo de Estado,como tudo que se relaciona com este assunto nos EUA”Como é sabido, os Estados Unidos se opõem ao tratado de Ottawa de prescrição das minas.

Que humanitarismo resiste à catástrofe ecológica que se abateu sobre a Iugoslávia? O bombardeio de usinas químicas que poluem rios e matam fauna e flora; o uso de bombas com grafite que contêm componentes cancerígenos; bombas de urânio provocando radioatividade; bombas/minas de fragmentação e seus estilhaços não detonados que ficarão no solo agindo como minas, atingindo civis, as mesmas bombas que, depositadas no Adriático, ameaçam a população civil que o utiliza?
Todos esses são armamentos proscritos pelo direito internacional e cujo emprego constitui crime de guerra, diga-se de passagem.

O humanitarismo estaria a exigir, se a intervenção tivesse realmente motivações éticas, a ingerência militar em outros países onde povos igualmente com direito à vida estão sujeitos a toda sorte de expiação, no Sudão (Sul), em Serra Leoa, no Tibet, em Timor-Leste. A miséria de Biafra também a ninguém comove e não é porque não comova as lentes da CNN que deixou de existir.

 A mesma ética que se irritou com a invasão do Kuwait (tão rico em petróleo –fornecedor do Japão e da Alemanha-- e tão estrategicamente localizado em face do Golfo Pérsico, silenciou em face da invasão e anexação do Timor-Leste, pela Indonésia, e do Tibet, pela China. Nada a falar sobre o Líbano, invadido de um lado por Israel, de outro pela Síria, e bombardeado quase diariamente, sem estar em guerra com quem quer que seja. Nada a dizer sobre a guerra de Moscou contra os separatistas da Chechênia.

Na verdade, o humanitarismo de Washington, determinando o belicismo da OTAN, é uma pura manobra geopolítica, que visa a assegurar um caminho europeu para o Oriente, afastar a influência russa(que sempre teve interesses militares nos Bálcãs e no Adriático), colocar uma cunha entre a Alemanha e a Rússia, enfim, a balcanização do Leste europeu, e, através do exército coletivo consolidado, impedir a emergência, na Europa, de qualquer sorte de formação militar independente.

A questão fundamental está em que o bombardeio do povo iugoslavo –sejam quais forem as conseqüências para os kosovares de origem albanesa, que permanecem em guerra contra os sérvios--, assegura o fortalecimento da OTAN quando o lógico seria, após o fim da guerra-fria, sua dissolução substituída por uma organização de defesa européia específica. Esse fortalecimento da OTAN é peça preciosa na estratégia militar norte-americana, que, assim, bloqueia o surgimento, na Europa, de um sistema estratégico rival.Ela também lembra aos europeus quem é o chefe da firma.

2.1 A economia da guerra


Não podem ser descartadas as razões puramente econômicas, da economia de guerra, que envolve tantos bilhões de dólares em armamentos crescentemente sofisticados, e razões puramente tecnológicas, pois, de fato, desde o experimento das Malvinas, as grandes potências vêm investindo maciçamente na sofisticada tecnologia de guerra e episódios como esse servem de campo para teste dos novos inventos. Principalmente considerando-se seu alto custo financeiro –-o que não é nada desagradável para o complexo industrial-militar--, e o baixíssimo –-na verdade nulo-- custo ou risco em vidas humanas, o que atende a uma das exigências da opinião pública norte-americana.

De fato, em 78 dias de bombardeios intensíssimos, não há o registro de um só militar a
serviço da OTAN morto em ação. Mesmo a perda de material é irrelevante. Após mais de 25 mil incursões aéreas, apenas dois aviões foram declarados perdidos (mas seus tripulantes salvos, resgatados em território inimigo) e um helicóptero tombou, emtreinamento.
O que poderia –por via política e diplomática—ser obtido como encaminhamento, ainda
gradual, de uma solução para
uma crise que tem raízes históricas, vai demandar mais algumas décadas de guerra e frustração. Terminada a ação punitiva dos Estados Unidos-OTAN, contra os sérvios, verifica-se que ela não impediu a limpeza étnica de Milosevic contra os kosovares albaneses. Nem destruiu o ditador. Ao contrário, os raids aéreos ilegais aceleraram a limpeza étnica contra os povos de origem albanesa e o êxodo da população de Kosovo, e seu saldo, assinada a rendição incondicional, é simplesmente macabro: milhares de iugoslavos, sérvios e descendentes de albaneses mortos, o exacerbamento do ódio, a impossibilidade de qualquer solução política, o aprofundamento dos conflitos entre as diversas etnias, nações e regiões.

Terminados os bombardeios, os kosovares –que permanecerão na Iugoslávia, ao contrário dos pilotos americanos e ingleses--, não podem contar com qualquer vitória. Ao contrário, a
expectativa é que ficou ainda mais difícil uma alternativa de paz com os sérvios, que terminaram virtualmente expulsos do Kosovo, que consideram o berço de sua nação, e onde estão
seus templos mais sagrados.

Neste episódio, perderam quase todos: perderam os kosovares que não alcançaram a paz e retornam a um Kosovo destruído; perderam os iugoslavos que quase perderam seu país, arrasado pelos bombardeios; perderam os sérvios que, num êxodo estimado em 100 mil, estão nas estradas em busca de novas terras e território onde possam encontrar um mínimo de segurança; perdeu a minoria sérvia de Kosovo, ameaçada de ser chacinada pela maioria de origem albanesa, que busca vingança para seus mortos (E quem vai agora assegurar um lar para os sérvios expulsos de Kosovo?); perderam a Macedônia e Montenegro, cujas economias, de si já frágeis, foram destroçadas; perderam os países balcânicos; perdeu a ONU; perdeu o direito internacional; perdeu a paz; perdeu o princípio da negociação e da arbitragem sobre a militarização dos conflitos. E perderam os que lutam pela eliminação das armas nucleares.

Ganhou a indústria da guerra

Perderam os defensores dos direitos humanos.

Terminados (ou suspensos?) os bombardeios, arrasada a Iugoslávia, destruído Kosovo partilhada a antiga província sérvia entre as potências agressoras e invasoras, os Bálcãs terminam o século mais explosivos do que nunca O ódio religioso-étnico foi agravado, Turquia, Grécia e Chipre, membros da OTAN e aliados de Washington, mantêm suas rivalidades históricas e disputas de territórios e os conseqüentes conflitos sobre os respectivos espaços aéreos. 

A ‘guerra’ contra os sérvios – população agredida pelos turcos, pelos austríacos, pelos nazistas e por seus aliados croatas-- tornou iminentes os conflitos entre a Iugoslávia e a Albânia e aqueles países que serviram de base aos aviões aliados.   Terminados (ou suspensos?) os bombardeios, milhares e milhares de iugoslavos, sérvios e croatas, retornam uns às suas casas perdidas, outros delas são expulsos. Ninguém pode avaliar seu próprio futuro. Autodeterminação? Autonomia sob a soberania sérvia? Ocupação permanente pelas tropas da OTAN? Partilha? Soberania partilhada? Quem protegerá os ‘sérvios de Kosovo?

Nenhuma dessas interrogações passou pela cabeça dos dirigentes da guerra.

 A sorte do povo de Kosovo, massacrado por um governante imoral, parece um pormenor em tudo isso, até porque o conflito étnico não foi resolvido, senão agravado, e Milosevic continua no poder e nele ou fora dele deve permanecer impune, como impunes permanecerão genocidas pró-Ocidente como Suharto, entre tantos outros.

Uma alternativa poderia ser a criação de um Tribunal penal internacional com poderes para julgar os autores de crimes contra a humanidade, imprescritíveis independentemente do status do agente, e independentemente mesmo de eventual decisão legal tomada por um Estado soberano.

Mas os Estados Unidos são contra esse Tribunal e impedem sua constituição… 

Além de haver votado contra a criação do Tribunal Penal Internacional, na reunião de Roma, os Estados Unidos vêm-se opondo à competência de um Tribunal internacional para processar acusados de crimes de guerra. Desde então o Ministério da Defesa vem advertindo a comunidade internacional de que os Estados Unidos não poderão aprovar a criação de um Tribunal que tenha o poder de julgar militares americanos.

Precatadamente, estão tentando obrigar alguns governos –-África do Sul, Polônia, Hungria e República Tcheca são citados nominalmente— a firmar acordos segundo os quais norte-americanos não seriam entregues ao Tribunal, se fossem acusados de crimes contra a humanidade, de guerra ou genocídio. A afirmação é de Pierre Sane, secretário-geral da Anistia Internacional. Mas Washington não está preocupada apenas com seus militares:   “(…) o governo americano procura também garantir que os funcionários da Agência Central de Inteligência (CIA) fiquem protegidos de ser extraditados por solicitação do TPI. A preocupação de Washington é que operações como o atual bombardeio da OTAN contra a Iugoslávia façam com que dezenas de funcionários militares, civis e da inteligência sejam processados pelo TPI” 

Mas, se o Sr. Milosevic foi, e justamente, indiciado pelo Tribunal de Haia, como criminoso de guerra, qual deve ser a acusação a ser formulada contra os responsáveis pelas agressões ao território e às populações civis do Líbano, do Iraque, do Irã, do Afeganistão, do Panamá, de Granada, do Sudão e da Iugoslávia, violando as constituições de seus próprios países, realizando guerras não declaradas nem autorizadas, violando a Carta das Nações Unidas.

2.2 A guerra como ‘valor’


Subsiste, por fim, a questão da guerra justa. Mas haverá guerra justa? Quem decide o que é uma guerra justa? O vencedor? Ora qualquer argüição desse conceito, para validar-se, terá, primeiro, de reabilitar o nazi-fascismo (e suas auto-proclamadas razões), absolver os tiranos de todos os tempos e abrir um precedente moral de tal ordem que pode significar o suicídio da humanidade.

É fácil de demonstrar.

As atrocidades do governo turco procuram justificativa no argumento de que está defendendo o país da ameaça de guerrilheiros e terroristas.
Na América Latina esse argumento foi utilizado, à saciedade, pelos governos militares para justificar o assassinato de seus adversários, na Argentina, no Brasil, no Chile, no Uruguai, no Peru, no Paraguai, na Nicarágua. Foi repetido no Laos e no Camboja pelos assassinos do Kmer Vermelho. Na Argélia, o argumento do Ocidente (França à frente) para impedir a posse do governo legalmente eleito foi a ameaça islâmica. Essa violência está na raiz de todos os massacres que ali se repetem quase diariamente, prometendo transbordar para a Europa. O ataque do Japão à Mandchúria, a invasão da Etiópia por Mussolini, e a ocupação da Tchecoslováquia pelas tropas de Hitler foram acompanhadas de elevada retórica humanitária, ou simplesmente do que Naom Chomsky prefere chamar: 'justificativas obscenas'.

“O Japão ia construir um ‘paraíso’ terrestre enquanto defendia os habitantes da Mandchúria contra os ‘bandidos chineses’. Mussolini estava libertando milhares de escravos enquanto realizava a ‘missão civilizadora’ do Ocidente. Hitler anunciou a intenção alemã de aliviar as tensões étnicas e a violência, além de ‘salvaguardar a individualidade dos povos alemão e tcheco’. O presidente da Eslováquia pediu a Hitler que transformasse seu país num protetorado”   A categoria determinante da moral é a universalidade, ou, dito pelo anverso, tudo aquilo que não pode ser generalizado é imoral, é aético. A legitimidade do direito deriva da universalidade de sua vigência: só constitui direito aquela norma que se aplica a todos ou que por todos pode ser acionada
Se a OTAN tem o direito de bombardear os sérvios para garantir a autonomia de
Kosovo –legalmente e historicamente uma dependência da Sérvia, que, ao lado de
Montenegro forma a Iugoslávia — por que outros povos, os curdos, os palestinos, os tibetanos, os chechenos, os muçulmanos da Caxemira, não têm o mesmo direito? Ou, têm os tibetanos o direito de bombardear Pequim para se livrarem da opressão chinesa? Ou Pequim pode bombardear Taiwan para retomar sua ilha, roubada pelas tropas de Chang-Kai-Chek, apoiadas pelo Ocidente?

Que tal Brasil e Portugal bombardearem a Indonésia para libertar os povos irmãos do Timor-Leste, ou os libaneses bombardearem a Síria e Israel para recuperar seu território e punir Tel-Aviv pelos raids criminosos que assassinam a população civil sob o pretexto de perseguir guerrilheiros?

O argumento, dos sérvios, para justificar sua posse de Kosovo –a antiguidade--, poderia justificar uma reivindicação mexicana sobre o Novo México e tantas outras terras suas perdidas para os Estados Unidos; por outro lado, o argumento (croata) da maioria, sancionado pelos bombardeios, poderia justificar uma reivindicação autonomista cubana sobre Miami, ou a expulsão, pelo Paraguai, dos 'brasilguaios' que estão ocupando suas terras e seus negócios.

Evidentemente, a aplicação dessas teorias aos Estados Unidos parece mera excentricidade, até porque o colosso militar está acima também das doutrinas e das teorias.
Mas, observa Leão Serva, “nos Bálcãs elas se mostraram tão reais quanto recentemente se revelaram reais na Palestina e em Chipre”.
Se a ação da OTAN fosse legítima, se estivesse amparada no direito, estaríamos condenando a humanidade à barbárie. Se fosse possível fazer valer como direito, isto é, em regra universal, o direito a que se auto-atribuem os Estados Unidos, a humanidade sucumbiria, devorada numa chacina autofágica.

 Os bombardeios contra a Iugoslávia, pela OTAN, constituem, de todos os modos, uma guerra inaugural, no sentido de sua justificativa, pois a OTAN não pode alegar a defesa de nenhum dos territórios de seus Estados-membros, objeto de sua criação, no fragor da ‘guerra-fria’.

As alegadas razões humanitárias de hoje, puramente ideológicas, podem amanhã ser substituídas por outras, como a defesa de um determinado soberano ou de um regime, ou de uma tese.

A salvação da humanidade, por exemplo, pode amanhã justificar, manu militari, a ‘proteção’ de santuários ecológicos como a Amazônia, ‘ameaçada de destruição’ por isso ou por aquilo.

O combate ao narcotráfico pode amanhã ser a justificativa do muito provável desembarque das tropas norte-americanas na Colômbia.
A‘ameaça’ que à sua segurança pode representar a consolidação de um regime nacional-popular na Venezuela, pode justificar a intervenção dos Estados Unidos na Venezuela…

Ninguém se iluda: o regime da unipotência arrogante atualiza La Fontaine é a lógica do lobo.

A intervenção da OTAN, finalmente, representa um salto no escuro para todas as nações do mundo que agora estão sabendo que não há mais soberania absoluta, nem direito internacional inquestionável, e que Estado nenhum pode entrar em conflito com o Estado hegemônico.

Ontem Panamá, Vietname, Iraque. Hoje Iugoslávia. Amanhã…(A propósito, a invasão do
Panamá e seqüestro de seu Presidente custaram a morte de mais de 2 mil pessoas, duas vezes mais que na derrubada de Ceausescu, na sua maior parte civis. Mas ninguém fala aí nem genocídio nem em carnificina.

Da convicção da comunidade internacional de que ninguém está a salvo da esmagadora superioridade militar dos Estados Unidos e seus sócios da OTAN, resultam conseqüências estratégicas e ideológicas.
No plano militar, a constituição de um eixo atômico anti-hegemônico, reunindo Rússia, China e Índia, que não tem mais qualquer razão para cumprir a promessa de assinar o tratado de não-realização de testes nucleares.
A humanidade pode estar à beira de uma nova e catastrófica corrida atômica, enquanto a
ação da OTAN está oferecendo a dirigentes irresponsáveis um irrespondível álibi ideológico para a retomada do armamentismo, criando emulações regionais de desdobramento imprevisível.
E no plano político, os Estados Unidos deverão reforçar a segurança de suas embaixadas em todo o mundo e assumir a responsabilidade de serem vistos por grande parte da humanidade (chineses, russos, indianos, árabes, latino-americanos e africanos) como inimigos de suas sociedades.

É claro que a ONU sai do episódio perigosamente sem função. Há que repensá-la no regime da unipotência.
Não há dúvida de que os bombardeios acabam por destruir o que restava da frágil ordem internacional, que já não pode oferecer aos fracos qualquer grau de proteção ante os Estados predadores.

Os Estados Unidos –-a superpotência que não respeita a lei-- estão assumindo, perante a humanidade, com o apoio de seus peões europeus, o papel de principal ameaça externa contra nossas sociedades e nossa civilização.
Não é de admirar, portanto, que o ressentimento com relação aos Estados Unidos
esteja crescendo globalmente.

Depois de relembrar uma antiga sentença do general De Gaulle (“Podem ter certeza de que os americanos cometerão todas as idiotices que puderem imaginar, mais algumas que estão além do imaginável”), o jornalista brasileiro Márcio Moreira Alves comenta o estrago que os bombardeios fizeram à ONU e às negociações para eliminação das armas nucleares.

A professora Mary Wynne-Ashford, vice-presidente da organização Físicos Internacionais pela Prevenção da Guerra Nuclear (FIPGN), por ele citada, revela o desalento de dois recentes seminários a que compareceu em Moscou e Estocolmo, e põe em destaque que “a opinião pública antiamericana na Rússia é mais profunda e ampla do que nunca. ‘Hoje a Sérvia, amanhã a Rússia’ é uma opinião que se enraizou profundamente na consciência das pessoas”. Por fim, conclui o articulista de O Globo:  “Nós, no Brasil, não temos de repetir, por enquanto, o temor de Moscou: ‘Hoje a Sérvia; amanhã a Rússia’. Mas não custa pensar no assunto”.Pensemos.

3. E a América Latina?


A experiência nos Bálcãs, no que depender dos Estados Unidos, deve ser levada para o resto do mundo. O primeiro alvo pode ser o nosso Continente.

Senão, vejamos.
 Na 29ª Assembléia Geral da Organização dos Estados Americanos (OEA), encerrada a 9 de junho de 1999, o delegado norte-americano propôs “que um grupo de países, vizinhos ou simplesmente relacionados política e economicamente, pudesse intervir em conflitos internos de outra nação”, sem a necessidade de apelo à Assembléia. Teve o apoio do Brasil.
No mês seguinte, o presidente Clinton, em entrevista coletiva, declarou que a crise colombiana é assunto “de interesse da segurança nacional” dos Estados Unidos.
Todos sabemos quais podem ser as conseqüências desse entendimento.

A Colômbia está às voltas, há pelo menos três décadas, com uma verdadeira guerra civil --que já produziu mais de um milhão de refugiados (mais que em Kosovo) e só nos últimos dez anos matou cerca de 35 mil pessoas (cerca da metade do seu território encontra-se sob o controle das Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia- FARC)-- e pela guerra do narcotráfico, o qual, diga-se de passagem, é alimentado pela demanda dos usuários norte-americanos e pela incompetência dos Estados Unidos de controlarem suas próprias fronteiras.
Esse complexo de crises já fez com que aquele país se transformasse no terceiro do mundo em ajuda militar norte-americana (logo após Israel e Egito):
“Neste ano, a Colômbia receberá US$ 289 milhões em ajuda militar dos EUA, e, no ano que vem, a quantia pode subir para US$ 1 bilhão.
Embora o dinheiro só possa ser usado para treinamento e missões de apoio, como vôos de observação, foi assim que os EUA começaram seu envolvimento no Vietname”.

Os colombianos vêem com espanto - mas a opinião pública internacional latino-americana com indiferença - o interesses de Washington em fornecer armas e recursos destinados ao combate à guerrilha, em vez de ajudar a resolver a crise social mais aguda de sua história.
Mas não é tudo.
O exército americano tem presença física e ativa em território colombiano, sob o pretexto de ajudar as forças armadas no combate à guerrilha e ao tráfico. Há mais de 300 americanos na Colômbia, entre soldados (200) e agentes do DEA (órgão de combate às drogas) e da CIA. São'assessores' treinando mil colombianos de um batalhão que deve entrar em operação em dezembro, para enfrentar os guerrilheiros.
Em setembro o governo de Pastrana receberá mais seis helicópteros de combate para
proteger os aviões que jogam desfolhantes. O avião norte-americano que caiu na selva estava equipado para vigiar a guerrilha. Também foi assim que tudo começou no Vietname. Aliás, por razões fáceis de compreender, os Estados Unidos unem, no mesmo processo, a guerrilha esquerdista das FARC e o narcotráfico, identificado como financiador daquela.
Ninguém fala em combater os paramilitares de direita e extrema direita.

E a imprensa faz a sua parte.
A brasileira Veja, ainda presa à retórica da guerra-fria, diz que a situação da Colômbia é de 'emergência' em face do 'agravamento da guerra civil e do envolvimento da guerrilha comunista (sic) com o narcotráfico'.
O boletim do Pentágono não escreveria melhor.
Segundo o jornal argentino La Nación, o sempre dócil governo Ménem (que acaba de ver recusada sua ridícula auto-candidatura à OTAN) teria sido instado por Washington a assumir a iniciativa de propor a criação de uma força conjunta de intervenção, à qual os EUA depois se juntariam.

Argumentos não faltariam para essa nova ‘intervenção humanitária’: a guerra civil, o narcotráfico e a ameaça de incursões da guerrilha nos territórios de fronteira, o que, aliás já vem sendo preventivamente manipulado pelas imprensas locais.
Ressalvada a gravidade colombiana, que a transforma em um caso especial, também estão em crise, seja por força do narcotráfico, seja pela sobrevivência da guerrilha, o Peru e a Bolívia.
O Equador, há anos, transita de uma crise econômica para outra.
Essa conjunção de fatores constitui o pano de fundo daquele que pode ser o cenário de maior apreensão: uma nova Venezuela de futuro imperscrutável, governada por um líder populista de raízes militares que mantém o apoio quase consensual de sua população, com um discurso nacionalista, desenvolvimentista e até aqui em nada comprometido com os interesses políticos, econômicos e ideológicos da nova ordem mundial.

Não precisamos falar de Cuba.
Mas esse é só um dos ingredientes que podem transformar nosso Continente num
explosivo caldeirão social.

 Nem mesmo os néscios ignoram o preço social que nossos países estão pagando à ‘globalização’. O fundamentalismo dos que acreditam na magia do mercado tem sido a causa da derrocada de nossos mercados, do aumento da concentração de renda, da queda do PIB, e do aumento da recessão, do desemprego e da exclusão e da queda geral da qualidade de vida.

O PIB da América Latina deverá cair, em 1999, entre -0,5% e -1,5%. Na Argentina essa queda será de -3%, no Equador de -5%, no Chile de –2,3%, no Uruguai, de -0,5%, na Colômbia, de –1%, no Brasil de –1% a -1,5%, e na Venezuela de -6%.
Alguns países apresentarão taxas de desemprego de 15%.
Em compensação, o comércio internacional dos Estados Unidos só é superavitário com a América Latina. Há 10 anos nos vendiam 25 bilhões de dólares por ano; hoje, essa cifra saltou para 90 bilhões, informa a CEPAL.
Com isso os Estados Unidos ganharam 650 mil empregos.
A crise econômica aumenta as desigualdades sociais, colocadas hoje em patamares obscenos.

Nesse campeonato, o Brasil mantém a liderança: o país registrou uma queda no percentual de renda total em mãos dos 40% mais pobres de 11,5% em 1993 para 10,5% em 1996, enquanto os 10% mais ricos da população viram sua fatia de renda aumentar de 43% para 44,3%.

Numa população estimada de 160 milhões de seres, somos 15% de analfabetos, 35% com menos de quatro anos de educação, 36% de infectados por parasitas.
Em compensação, os bancos privados brasileiros tiveram, no primeiro semestre de 1999,
a melhor rentabilidade da história: 35,35%, duas vezes mais que a média do setor (15%), que já se destaca como uma das maiores do mundo.
Com base no estudo de 15 bancos, a consultoria Austin Assis conclui que a rentabilidade dessas instituições saltou de R$ 194,5 milhões no primeiro semestre de 1998, para R$ 2,560 bilhões, neste ano, o que equivale a um crescimento de 1.216% no intervalo de um ano! O que representa principalmente uma brutal transferência de renda da população para os bancos, que, aliás, não pagam imposto, segundo declarou à Câmara dos Deputados (CPI do Sistema Financeiro), o Secretário da Receita Federal.
O outro lado dessa moeda perversa é inevitável: aumento das ocupações de propriedades, bloqueio de estradas, greves e lock-outs, desabastecimento, aumento da violência urbana, conflito social, que pode se manifestar através do ressurgimento de ações guerrilheiras e revolucionárias, e na retomada do tradicional autoritarismo latino-americano. Em qualquer hipótese, requer muita ingenuidade apostar, nesse quadro, na segurança das instituições políticas democráticas.

As informações disponíveis indicam que a diplomacia brasileira não estaria disposta a aprovar a idéia da intervenção militar, conjunta ou não, na Colômbia. Nosso governo teria consciência de que essa operação seria uma porta aberta para outras intervenções, notadamente nas regiões limítrofes da Amazônia, por onde o Brasil tem fronteiras com o Peru, a Colômbia, a Venezuela e também com a Bolívia.
 Sabe-se que nossas Forças Armadas, justificadamente preocupadas com a integridade da Amazônia brasileira, jamais veriam com bons olhos a presença de tropas estrangeiras na região, mesmo tratando-se do exército norte-americano.
Sabe-se, igualmente - dá conta o noticiário da imprensa - que Brasil e Estados Unidos já discutem uma ação conjunta de "cerco a guerrilheiros' e uma ação militar brasileira. Foi esse o tema da conversa entre o general Charles Whilhelm, chefe do Comando Sul das Forças Armadas com o Ministro da Defesa do Brasil, Élcio Álvares [62] em agosto de 1999.

Enquanto espera a data certa para a 'operação militar', a Polícia Federal brasileira foi acionada para desencadear uma "operação destinada a fechar as rotas de abastecimento de alimentos para as regiões da Colômbia controladas pelas Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (Farc). A operação faz parte da estratégia americana de cerco à área controlada pelos guerrilheiros que foi desmilitarizada pelo governo colombiano em novembro de 1998 para viabilizar as negociações de paz". A 'operação' coincidiu com a presença em Brasília do Chefe do Escritório de Controle de Drogas da Casa Branca, Barry MacCaffrey, que se encontrou com o Chefe da Casa Militar da Presidência da República, general Alberto Cardoso...

Não se sabe, porém, qual é a política do maior país da América do Sul e da América Latina para a América do Sul e a América Latina.
Não se sabe, mesmo, se existe uma tal política. Como não se sabe qual é sua política para a África e a lusofonia.
Em matéria de política exterior sabe-se, apenas, que o Brasil pleiteia um assento (talvez rotativo) no Conselho de Segurança da ONU.
Para fazer o que, não se sabe.
Para defender que programa, que idéias, que política, não se sabe.

Até aqui temos sido incapazes de produzir uma política externa que não seja puramente reativa. Fora o curto período das administrações Jânio Quadros/João Goulart (ministros Afonso Arinos e San Thiago Dantas), e Geisel (ministro Azeredo da Silveira), nossa política internacional tem-se caracterizado, principalmente a partir da II Guerra Mundial, pelo alinhamento automático aos interesses norte-americanos, nada obstante o notável contencioso econômico resultante das barreiras americanas às exportações brasileiras.

Em abono à renúncia à vida independente, nem mesmo difusos interesses de uma geopolítica comum podem hoje ser alegados, em face do fim da guerra-fria e da total irrisão da ‘ameaça’ comunista.
Nesses termos, portanto, nada impediria o país de procurar uma agenda própria, consolidando sua liderança no Continente, ocupando na África o espaço que sua história nos oferece, e procurando novos parceiros internacionais, como, por exemplo, a Índia, a China e a Rússia.

Enfim, ocupar um espaço próprio, adequado à sua importância territorial, à sua economia, à sua história, e contribuir –por exemplo ao lado da China, da Índia, do Japão e de uma Rússia livre de seus atuais dirigentes-- para a recuperação da multipolaridade, fundamental para nosso desenvolvimento e mesmo para a sobrevivência da humanidade.   Mas isso seria querer demais de nossas elites, pois significaria a busca de caminhos próprios. E a história das elites brasileiras é a permanente traição aos interesses nacionais, o total descompromisso com a construção da nacionalidade, ou com a defesa dos interesses de seu povo.

Não se trata de propor para nossos povos um quixotesco enfrentamento da‘globalização’ em condições de absoluta desigualdade de forças, mas, tão-só, de fortalecer o país e a nacionalidade para fazer face aos desafios dessa forma moderna de imperialismo.

A resistência passa pela liderança de nossos povos, da unificação da América Latina em torno de seus interesses, da associação com outros continentes e povos.
Separados e isolados até por imposição da geopolítica colonizadora, precisamos encetar o processo do mútuo conhecimento, assim descobrindo que temos mais unidade do que diversidade, mais aproximações do que divergência e, que, respeitando nossas culturas e nossos projetos, de cada povo e de cada país, podemos construir o projeto do desenvolvimento comum.

Mas tudo isso passa, antes de mais nada, por alterações na correlação de forças políticas no interior de nossos países.
 

Com vistas à nossa integração, o MERCOSUL pode ser um primeiro passo, aglutinando, de princípio, os interesses dos países do cone- Sul.
Nesse sentido, trata-se de projeto que precisa ser estimulado e preservado, nada obstante suas limitações.
Não podemos nos iludir quanto à sua fragilidade, reflexo das limitações dos países-membros.

Simples acordo de mercado ou aduaneiro, o MERCOSUL pode se transformar num grande instrumento tanto de integração econômica quanto de integração cultural e política, fortalecendo nossos países no diálogo com outros blocos e com o Norte, sobretudo com a União Européia e mesmo na resistência à ALCA (Área de Livre Comércio das Américas).
Uma das últimas e mais graves ameaças à sobrevivência de nossos países, ela representará, na prática, a absorção, pela economia e pela política dos Estados Unidos, da política, da economia, da autonomia e da soberania de nossos países.

A ALCA, uma vez efetivada, incorporará os territórios dos 33 países das Américas (12% do PIB da região) ao território dos Estados Unidos (88% do PIB), absorvendo, com os territórios, a economia, a política, a autonomia, a independência e a cultura dos nossos países, que também terão renunciado ao direito à soberania e à história própria, como observa Samuel Pinheiro Guimarães:
“As decisões de política econômica tomadas por autoridades americanas nos Estados Unidos passariam a ter influência decisiva sobre o progresso e o bem-estar dos brasileiros e sobre a possibilidade de ter o Brasil políticas econômicas próprias, voltadas para seus interesses”.

A adesão brasileira à ALCA –que deve começar a funcionar a partir de 2005, segundo compromissos do atual governo brasileiro pode representar nosso suicídio coletivo. Seria a modernidade ‘pós’ - Kosovo.
A nova ordem mundial derivada do fim da guerra-fria coloca para os nossos povos uma questão irrecusável: os Estados Unidos e sua política econômico-militar (onde começa uma e termina a outra?) dirigida pelo interesse e pelo oportunismo –jamais por uma teoria de valores--, sem mesmo atender a questões concretas de segurança, interesse nacional ou fins estratégicos claramente definidos, e levada a cabo com truculência e arrogância, continuarão a dirigir o mundo? Ou, é possível enxergar no horizonte de nossas existências qualquer sorte de resistência, pelo menos intelectual e moral?
A utopia é a recuperação do direito de construir nosso próprio destino, em que pese a nova ordem mundial.

Referências


1. BURDIEU, Pierre. Contre-feux. Propos pour servir à la résistence contre l’invasion 
néo-liberale. Liber-Raisons d’Agir. Paris. 1998.

2. SANTOS, Milton. Geógrafo, professor emérito da USP. In ‘Guerra dos lugares’.
FSP. 8.8.1999.

3. VIDAL, Gore. Em entrevista a WINKLER, no Suddeutsche Zeitung, edição de 2-3 
de junho de 1999 

4. FRIEDMAN, Thomas, articulista do The New York Times Magazine, no artigo
‘Manifesto para o mundo veloz’ traduzido pelo O Estado de São Paulo e
publicado na edição de 29.5.99: O sistema da ‘globalização’ encontra-se 
erguido em torno de três elementos de equilíbrio que se sobrepõem e exercem
influência entre si. É o tradicional equilíbrio entre Estados e Estados. O seguinte 
é o equilíbrio entre Estados e supermercados – os gigantescos mercados globais 
de títulos e ações. Os Estados Unidos podem destruir você jogando bombas e 
os supermercados podem destruir você desvalorizando os seus títulos.

5. MAGNOLI, Demétrio. Questões internacionais contemporâneas. Fundação 
Alexandre Gusmão. Brasília. 1995. P. 84.

6. FARAH, Paulo Daniel ‘Os Bálcãs – Qual será a próxima guerra?’ in Folha de São
Paulo, 20.6.99:

7. O acordo de Daytona, “ao mesmo tempo que impôs uma paz armada, coroou a lógica da limpeza étnica e a separação entre os povos criando três entidades nacionais (de um lado, com metade do território, as entidades croata e muçulmana reunidas em uma federação; com a outra metade, uma entidade sérvia). Em cada um dos territórios, os membros das demais etnias foram deslocados, impondo assim a lógica da separação, que era atribuída aos sérvios e cuja negação, supostamente, justificava toda ação dos aliados dos Estados Unidos. Os acordos implicaram a renúncia sérvia a certos territórios. Eles, que tinham chegado a dominar 70% da Bósnia, ficaram com cerca de 50%. Os sérvios perderam terras, mas o acordo tornou vencedora a lógica da imposição de uma separação entre os povos”. SERVA, Leão. In ‘Bálcãs: onde as tragédias da História se repetem (Nesta guerra, a primeira vítima é o leitor)”. Política Externa. Vol. 8. N.1- junho- 1999. p-14

8. MARTINS, José Miguel Q., in ‘Nem a guerra nem a paz', apud Conjuntura política,
Boletim de análise do Departamento de Ciência Política da Faculdade de Filosofia 
e Ciências Humanas da UFMG, n.7-maio/1999, p.33-36

9. SAID, Edward W., ‘La trahision de los intelectuales’. In Le Monde Diplomatique, 
aoüt, 1999. Pp. 6-7.

10. “Intervenção é a nova estratégia”, Oppenheimer, W., in Jornal do Brasil,24 de abril 
de 1999.

11. CHOMSKY, Noam. “Lei, direitos humanos e as lições da história”. Jornal do 
Brasil, 25.4.99

12. RAMONET, Ignacio. ‘Nouvel ordre global’. Le Monde Diplomatique, juin 
1999 p. 4.

13. William Pfaf. ‘What Good is NATO if America Intends to Go Alone?’. In
International Herald Tribune. 20.1.999

14. HAQ, Farhab,.“ EUA agem contra tribunal internacional”. Jornal do Brasil. 9.6.99

15. RAMONET, Ignácio. La Tyrannie de la communication. Galilée. Paris. 1999.p. 148.

16. CASTRO, Moacir Werneck de. ‘A porta aberta’, in Jornal do Brasil, 27 de julho 
de 1999

17. SEKLES, Flávia. ‘A guerra americana na Colômbia”. Jornal do Brasil, 1º de agosto
de 1999.

18. Veja. Ano 32, edição 1610, 11 de agosto de 1999. 'A sombra do Vietnã'. p. 52-53.

19. ROSSI, Celso. ‘EUA cobram ‘plena atenção’ à Alca’. FSP, 21 de julho de 1999.



LEIA TAMBÉM...

O Processo Expansionista Europeu no Século XVI

Europa: Auge e Decadência na Transição do Séc. XIX ao XX

A Quem Interessa a Alca

O FMI é o Inimigo

A Globalização e a Atualidade da Questão Nacional

Civilização e Barbárie: Ensaio Sobre a Nova Ordem Mundial

O Que é Globalização






Procure na BUSCA pelo
autor ou pelo título.
Se tiver dúvida insira apenas
parte do título ou autor
 
Use palavras-chave para
achar o que procura.
ou click em
Busca Avançada

Fique atento ao valor do frete. Adquira mais livros.
Até 1 kilo, o preço do frete
tem o mesmo valor

 

Roberto Amaral
ramaral@ax.apc.org
Escritor, professor da PUC-Rio, membro titular do Instituto dos Advogados Brasileiros, IAB e Presidente do Centro Brasileiro de Estudos Latino-Americanos-CEBELA. Editor da revista Comunicação&política. Vice-presidente nacional do Partido Socialista Brasileiro, PSB.

massive ordnance penetrator